sexta-feira, 5 de abril de 2013

Médicos.

Sabe aquela historia de guardar seu proprio sofrimento no bolso e ir cuidar do do amigo?
Pois é. Como médicos fazemos praticamente isso todos os dias.
Cuidar do próximo é a essência da minha profissão. E juro que tento fazer da melhor forma todos os dias. Sempre fui muito emotiva e tenho uma facilidade incrível de me colocar no lugar das pessoas. E fiquei com medo de perder a sensibilidade ao longo dos anos de profissão... é que aprendemos a conviver com perdas, aprendemos a aceitar o que não podemos mudar e aprendemos a ter tranquilidade pra agir no que podemos. Acho que no fim a gente meio que perde aquele desespero que os outros apresentam quando vêem alguém doente. A gente sempre pode ajudar de algum modo, isso nós sabemos... mas infelizmente nem sempre é do modo como gostaríamos. Hoje tenho a tranquilidade de saber que não perdi minha sensibilidade, mas aprendi sim a lidar com a realidade.

Porém, é muito triste ver que alguns colegas acabam mesmo perdendo essa sensibilidade. Colegas, não! São profissionais que se esqueceram do que é Medicina. Estão por aí, infelizmente, atendendo várias pessoas sem se importar com elas, praticando a profissão como simples emprego... Medicina é sim um emprego, também precisamos sobreviver. Mas é muito mais que o nosso "meio" para ganhar dinheiro. Pelo menos deveria ser... Sempre ouvi que ser médico é um dom... mas infelizmente temos esses por aí que, sem o mínimo de humanidade, não tem a mínima capacidade de cuidar de outro humano.



E nós, médicos, também somos humanos. Nós erramos, claro. E isso dá  um medo danado, sabe? Um pequeno erro nosso pode ter um efeito grande na vida de outra pessoa. Mas é esse medo que nos instiga a nos aperfeiçoar a cada dia e que nos protege de atitudes impetuosas. É um medo importante, sabe. Eu, na verdade, tenho um medo muito mais profundo daqueles profissionais que não o sentem...

Ah, alem de toda essa nossa humanidade, ainda somos dependentes do sistema de saúde em que trabalhamos! Às vezes o que temos pra fazer depende muito dos recursos que nos são oferecidos. Dependemos de outras pessoas pra oferecer o melhor pro paciente, isso é fato. Podemos sempre dar o nosso melhor, mas sempre precisaremos que um monte de gente também faça o seu melhor para o paciente receber a atenção que merece.

Enfim, que todos nós oremos por médicos sensíveis e um pouco medrosos. Que todos nós façamos a nossa parte antes de criticar a do outro. Que os sistemas de saúde funcionem... E que valorizemos todas as tentativas feitas com o coração.

 Fazer medicina de verdade é fazer com amor.
Laís Prudente de Andrade
Abril/2013